terça-feira, 6 de julho de 2010

Iniciação às equações de segundo grau

Uma das dificuldades que costuma atormentar os alunos do nono ano de escolaridade no trabalho das equações do segundo grau, é não ser hábito representar prévia e geometricamente as situações simples e não visualizarem em concreto a medida do lado dum quadrado e os elementos que constituem os quadrados das somas e diferenças e a diferença de quadrados.

Pois parece-me ser um trabalho que, se abordado de maneira simples e através de situações problemáticas, poderá motivar descobertas, logo no quarto ano de escolaridade, em que fundamentarão os conceitos a adquirir no nono ano de escolaridade. As noções mais simples já iriam adquiridas e seriam facilitadoras das mais complexas.

O objectivo desta perspectiva de trabalho seria, não fugindo do programa de cada ano de escolaridade mas investindo nele o habitual, preparar o trabalho a realizar nos seguintes anos de escolaridade. Era como que cada fase dum trabalho servisse sempre de propedêutica para o trabalho futuro; era uma maneira dos ensinos duns ciclos não funcionarem de costas voltadas uns para os outros. É que muitas vezes o trabalho feito no primeiro ciclo, e essencialmente na matemática, de muito pouco servirá ao segundo ciclo; começa-se tudo praticamente de novo, constituindo grandes desperdícios.

A este propósito é interessante relatar o resumo dum diálogo que tive com uma responsável dum Centro de Formação de Professores onde me candidatei como formador, propondo-me basear o curso no método Cuisen’eu e nesta perspectiva integradora. Pois a senhora responsável era professora e licenciada em matemática e comentou:

- O que eu acho é que os professores do primeiro ciclo devem dar o menos possível de matemática aos seus alunos porque eles no segundo ciclo aprenderão então a matemática; basta-lhes aprender a contar, aprender a tabuada, aprender a fazer as continhas e é quanto basta.

E os agrupamentos horizontais de Escolas é no que dão; ninguém se conhece nem se sabe por e para onde vai cada ciclo!...

Vejamos então como se poderia iniciar este trabalho no quarto ano de escolaridade. Por esta altura da escolaridade já os alunos dominam os conceitos de quadrado, rectângulo, áreas, dimensões, etc., e já resolvem muitas situações problemáticas enquadradas na mesma matéria. Por isso basta que proponhamos mais uns problemas sobre esta matéria acompanhados do respectivo material concretizador.

Situações problemáticas enquadradoras

1ª situação

O senhor José herdou do pai um terreno quadrado com 9 unidades de medida de lado. Mas o irmão, sentindo-se prejudicado, pediu ao tribunal que lhe acertasse a herança. O Tribunal decidiu que o José teria de dar ao João duas tiras do seu terreno com uma unidade de largura ao longo de todo o seu terreno. O campo que sobrasse teria de ter, necessária e obrigatoriamente, quatro lados. Quando os dois irmãos se juntaram para acertar o terreno, nova divergência surgiu. O João queria as duas tiras juntas dum só lado; o José queria dar as duas tiras em lados contíguos. Onde é que estava a diferença que justificasse a discussão?

Para a verificação da diferença daríamos a dois alunos (faz de conta o João e o José) dois quadrados de cartolina com 27 cm de lado (representava o terreno) e pedir-lhes-íamos que medissem a área do quadrado com as réguas Cuisen’eu. Ao cobrirem a cartolina com réguas nove, verificariam que levava 81 quadradinhos (área do quadrado). A cada aluno seria dada uma tesoura para cortar as duas tiras, cada um à sua maneira. Como cada tira corresponderia a uma régua Cuisen’eu, bastaria assentar, à sua maneira, cada régua no quadrado, traçar o limite e cortar as tiras a dar ao João. É claro que cada um faria à sua maneira.

Como o João queria Como queria o José

Para o João 2x9=18 quadrados. Para o João 1x9 =9 quadrados Para o José 9 x 7=63 quadrados. Para o João 1x8 =8 quadrados

Para o João17 quadrados no total

Para o José 8x8=64 quadrados

Até aqui tudo pode ser do 4ºano.

9 x (9-2)= 9^2-9x2 =81-18= 63

(9-1)^2= (9-1)x(9-1)= 81-9-9+1= 64

Não será para o 4º ano

X x (X-2) =X^2- 2xX =0

(X-1)^2=(X-1)x(X-1)= X^2-X-X+1^2=0

Para o 9º ano

2ª situação

Admitamos agora que os litigantes eram o Mário e o Miguel e que o Juiz tinha sentenciado que o Mário teria de receber, ao longo do seu terreno, três tiras do Miguel, ficando o terreno somente com quatro lados. Mas o Miguel ateimava que lhe daria as três tiras juntas no mesmo lado do seu quadrado de terreno e o Mário queria-as em lados contíguos, duas num e uma noutro. O que justificaria a discussão se à primeira vista pareceria que era a mesma coisa?

Dando quadrados de papel quadriculado aos alunos e tesouras, eles investigariam a razão da discordância. O professor simplesmente coordenaria. E concluir-se-ia que:

O Mário ficava com 7x8=56 quadrados

O Miguel ficava com 6x9=54 quadrados

Os meninos do 1º ciclo perceberiam perfeitamente a questão

Para os mais crescidos já poderíamos propor:

(6+1) x (6+2) = 6x6 + 6x2 + 1x6 + 1x2 =36+12+6+2=56

6x(6+3)= 6x6 + 6x3= 36+18=54

Para o 9º ano apareceria assim: (X+1)x(X+2)=X^2+2X+X+2=0

X(X+3)=X^2+3X=0

3ª situação

Agora os litigantes seriam a Maria e o José. O juiz decidiu que o José teria de dar uma tira à Maria e a Maria teria de dar uma tira ao José. Mas o José queria dar e receber as tiras do mesmo lado do seu terreno; e como era dar e receber, o melhor era ficar como estava. A Maria argumentava que lhe daria a tira no lado contíguo ao lado onde tiraria para ela. Onde estaria a razão da divergência? Dando papel quadriculado e tesoura aos alunos, eles encontrariam a razão.

Como queria o José Como queria a Maria

Para os alunos do 1º ciclo

6x(6+1-1)=6x6=36 quadrados

(6-1)x(6+1)=5x7=35 quadrados

Para alunos mais crescidos

6x(6+1-1)=6x6+6x1-6x1=36+6-6=36

(6-1)x(6+1)=6x6+6-6-1= 35

Para os alunos do 9º ano

X(X+1-1)=X^2+X-X=X^2= 0

(X-1)x(X+1)=X^2+X-X-1^2=X^2-1^2= 0

E assim parece ser possível articular matéria no sentido de aproveitar as devidas sequências.E não se vê que alguém tenha cometido o “crime” de sair fora do programa.

E estes casos simples já seriam dominados pelos alunos à entrada do 9º ano e que lhe facilitariam o salto para os casos mais complexos das equações do segundo grau.

O que parece evidente é que necessitaríamos dum sistema de ensino/aprendizagem articulado e sequencial entre os vários ciclos, o que está longe de suceder. E isto será um exemplo do que se passa em muitas matérias e até mesmo em várias disciplinas: falta de coordenação.

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Teorema de Pitágoras

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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O teorema de Pitágoras: a soma das áreas dos quadrados construídos sobre os catetos (a e b) equivale à área do quadrado construído sobre a hipotenusa (c).

O teorema de Pitágoras é uma relação matemática entre os três lados de qualquer triângulo retângulo. Na geometria euclidiana, o teorema afirma que:

Em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos.

Por definição, a hipotenusa é o lado oposto ao ângulo reto, e os catetos são os dois lados que o formam.

O enunciado anterior relaciona comprimentos, mas o teorema também pode ser enunciado como uma relação entre áreas:

Em qualquer triângulo retângulo, a área do quadrado cujo lado é a hipotenusa é igual à soma das áreas dos quadrados cujos lados são os catetos.

Para ambos os enunciados, pode-se equacionar:

c^2 = b^2 + a^2\!\,

onde c representa o comprimento da hipotenusa, e a e b representam os comprimentos dos outros dois lados.

O teorema de Pitágoras leva o nome do matemático grego Pitágoras (570 a.C. – 495 a.C.), que tradicionalmente é creditado pela sua descoberta e demonstração,[1][2] embora seja frequentemente argumentado que o conhecimento do teorema seja anterior a ele (há muitas evidências de que matemáticos babilônicos conheciam algoritmos para calcular os lados em casos específicos, mas não se sabe se conheciam um algoritmo tão geral quanto o teorema de Pitágoras).[3] [4] [5]

O teorema de Pitágoras é um caso particular da lei dos cossenos, do matemático persa Ghiyath al-Kashi (1380 – 1429), que permite o cálculo do comprimento do terceiro lado de qualquer triângulo, dados os comprimentos de dois lados e a medida de algum dos três ângulos.

Multiplicação usando os dedos :-)

28 10 2009

Durante a Idade Média e o Renascimento, poucas foram as pessoas que chegaram a conhecer a tabela de multiplicar para além da tabuada do 5. Assim, usava-se um método muito popular que se baseava no uso dos complementos dos números dados relativamente a 10. Como tal, o complemento de n relativamente a 10 será 10-n.

Neste método era frequente usar os dedos das mãos como instrumento de cálculo.

Associa-se aos dedos de cada mão os números de 6 a 10, começando pelo dedo mindinho.

Dedos1

Para multiplicar 7 por 8 tocam-se os dedos associados ao 7 e ao 8:

Dedos2

Note-se que o complemento de 7 está representado pelos três dedos superiores (situados acima dos dedos em contacto) de uma mão e o complemento de 8 pelos dedos superiores na outra mão. Os cinco dedos inferiores representam o 5, ou seja, 5 dezenas. A 50 adiciona-se o produto dos dedos superiores, 2 × 3 , ou seja 6, dando no total 56.

Dedos3

Os dedos e a tabuada do 9…

Associa-se aos dedos de cada mão os números de 1 a 10 começando pelo dedo polegar.

Dedos4

Por exemplo,

9×4 corresponde a baixar o 4º dedo. Ficam 3 dedos levantados antes do dedo que se baixa, e 6 depois. O que significa 36, que é o resultado pretendido, como se observa na figura seguinte.

Dedos5

O mesmo para 9×9:

Dedos6

Origem dos Números Arábicos

24 02 2010

Os algarismos arábicos ou árabes, foram trazidos da Índia para o Ocidente há muitos séculos atrás e são aqueles que ainda usamos nos nossos dias.

Os números que escrevemos são formados pelos algarismos 0,1,2,3,4,5,6,7,8 e 9.

Alguma vez pensaste porque 1 é “um”, 2 é “dois”, 3 é “três”, …???

Existem diversas explicações para a origem destes números, algumas delas bastante interessante que apontam em argumentos bem construídos mas que, no entanto, não são reais.

Um exemplo disso é o que se apresenta a seguir, que assenta a origem dos números arábicos no número de ângulos existentes no desenho de cada algarismo.

Apesar de não ser a verdadeira história da origem destes números não deixa de ser bastante interessante e curiosa.

Coincidências ;-)

Os números 1,2,3 e 4

Os números 5, 6, 7 e 8

O número 9

O mais interessante de todos! O número 0!





Pensamento Algébrico

11 02 2010

Diariamente te confrontas com a necessidade de calcular valores desconhecidos na resolução de alguns problemas. Para tal, usas equações e inequações,por exemplo.

A Álgebra é o ramo da Matemática que formaliza e sistematiza certas técnicas de resolução de problemas, que têm como objectivo a determinação de valores desconhecidos.

Os objectos fundamentais da Álgebra são relações matemáticas abstractas, que tanto podem ser expressas por equações, inequações ou funções como podem ser representadas por outras estruturas definidas por operações ou relações entre conjuntos.

Laboratórios Virtuais de Matemática

A Superfície de Chub (DPGraph - by Carlos César)

Science is what we understand well enough to explain to a computer. Art is everything else we do.

Donald E. Knuth (A = B)

Todo o conteúdo matemático deste site (textos, gráficos, equações, etc.) é gerado por aplicativos especialmente concebidos para uso na Matemática e em todas as áreas que dela dependem. Esses programas são fantásticos laboratórios virtuais, pois permitem que o usuário faça experiências matemáticas genuínas, a partir das quais pode colher informações suficientes para a compreensão de um tópico, a demonstração de um teorema ou a formulação de uma teoria. Ignorar a relevância desses softwares para o ensino e a pesquisa equivale a condenar-se ao atraso.

Para equipar os nossos leitores com tais ferramentas - ou pelo menos para torná-los conscientes da sua existência -, dedicamos os artigos desta parte à divulgação das mesmas. Aqui você encontrará materiais que ensinam como utilizar os nossos softwares preferidos. Você aprenderá, por exemplo, como fazer gráficos no Winplot, estudar Geometria Analítica Espacial no DPGraph ou resolver equações com o Mathematica. Uma vez entendido os princípios gerais desses softwares, você estará em condições de ler artigos de outras seções nos quais são feitas aplicações mais especializadas.

É importante ressaltar, porém, que os artigos desta parte não são textos insípidos que informam apenas sobre onde encontrar um menu ou quando pressionar um botão. Mais do que isso, eles apresentam também conteúdo matemático real, incluindo definições, demonstrações e exercícios. Deste modo, podem ser lidos com proveito independentemente do interesse que se tenha pelo computador. Esperamos que esse material sirva como ilustração da relevância da Matemática experimental (no sentido antecipado por Alan Turing, John von Neumann e há muito difundido por Gregory Chaitin) e, ao mesmo tempo, como fonte de informação, estudo e pesquisa para estudantes e professores.

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  1. Introdução ao ambiente 2D do Winplot. Ao dominar este programa, você estará em condições de entender assuntos só ensinados na universidade (como a parametrização de curvas). O artigo contém aplicações à Física. (Aguarde a versão atualizada.)
  2. O Winplot e o Trinômio do Segundo Grau. Um estudo interativo do trinômio do segundo grau — no estilo inconfundível do autor. (Em revisão.)

  3. Introdução às Rotações. Veja como os ambientes 2D e 3D do Winplot permitem uma exploração aprofundada das equações de rotação no plano e no espaço. (Artigo atualizado em 18 de dezembro de 2002.)

  4. Três Mágicas com o Mathematica. Inédito na Internet! O poder fabuloso do Mathematica ilustrado por meio da automatização de três algoritmos clássicos.
  5. Cálculo de etA por meio do DERIVE — por António Pereira Rosa. (Artigo enviado ao site como documento Word em 10 de julho de 2003. Publicado em 19 de julho de 2003.)
  6. Matemática com o Winplot. Raízes Complexas do Trinômio.
  7. Física com o Winplot. Campos Elétricos.
  8. Física com o Winplot. Ondas.
  9. CramerSarrus. Um sofisticado pacote no Mathematica para o aprendizado interativo das regras de Cramer, Sarrus e Laplace.
  10. playEquation. É possível resolver equações num computador de maneira didática? Clique para ver a resposta.
  11. Trigonometria Plana com o Winplot
  12. Trigonometria Esférica com o Winplot
  13. Cálculo Diferencial com o Winplot
  14. Conhecendo o DPGraph (3D)
  15. O Mathematica e o Trinômio do Segundo Grau
  16. Cálculo Algébrico com o Mathematica

Trecho da curva de HilbertTrecho da curva de Hilbert

Em breve: os tutoriais do Winplot revisados, ampliados e publicados em livro!

Carlos César de Araújo, 11 de abril de 2007


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A giróide (de Alan Shoen) - Animation made with DPGraph and Mathematica by Carlos César

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instruções

Gráfico de y = mdc(x,1), by Carlos César

Raízes da unidade (made with GrafEq by Carlos César)

A função resto de 1 por x (GrafEq / Carlos César)

Pontos com coordenadas inteiras sob uma hipérbole (Made with GrafEq by Carlos César)

A ciclóide no Winplot (Carlos César)

Parabolóide hiperbólico (veja o applet Java)

Made with Winplot by Carlos César

Made with Winplot by Carlos César